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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

JORGE AMADO


Nome completo: Jorge Leal Amado de Faria
Pais: João Amado de Faria e de D. Eulália Leal
Cônjuge: Zélia Gattai Amado
Filhos: João Jorge, Paloma e Eulália
Formação: Direito
Profissão: Escritor, Jonalista
Nacionalidade: Brasileiro
Estado: Bahia
Naturalidade: Salvador
Nascimento: 10/08/1912
falecimento: 06/08/2001
Principais Obras: Bahia de Todos os Santos, Gabriela, Cravo e Canela, Capitães da Areia, Tieta do Agreste, Tocaia Grande,O Amor do Soldado, etc.


Trecho do Livro Gabriela 

(...) Os olhos perscrutaram a escuridão. A réstia de luar subia pela cama, iluminava um pedaço de perna. Nacib firmou a vista, jé excitado. Esperara dormir essa noite nos braços de Risoleta, nessa certeza fora ao cabaré, antegozando a sabedoria dela, de Prostituta de cidade grande. Ficara-lhe o desejo irritado. Agora via o corpo moreno de Gabriela, a perna saindo da cama. Mais do que via, adivinhava-o sob a coberta remendada, mal cobrindo a combinação rasgada, o ventre e os seios. Um seio saltava pela metade, Nacib procurava enxergar. E aquele perfume de cravo, de tontear. Gabriela agitou-se no sono, o árabe traspusera a porta,  E aquele perfume de cravo, de tonter. Gabriela agitou-se no sono, o árabe transpusera a porta. Estava com a mão estendida, sem coragem de tocar o corpo dormindo. Por que apressar-se? Se ela gritasse, se fizesse um escândalo, fosse embora? Ficaria sem cozinheira, outra igual a ela jamais encontraria. O melhor era deixar o pacote na beira da cama. No outro dia demoraria mais em casa, ganhando sua confiança pouco a pouco, terminada por conquista-la. Sua mão quese tremia pousando o embrulho. Gabriela sobressaltou-se, abriu os olhos, ia falar, mas viu Nacib de pé, a fitá-la. Com a mão, instintivamente, procurou a coberta mas tudo que conseguiu- por acanhamento ou por malícia? foi fazê-la escorregar da cama. Levantou-se a meio, ficou sentada, sorria tímida. Não buscava esconder o seio, agora visivel ao luar.
-Vim lhe trazer um presente - gaguejou Nacib. -Ia botar em sua cama. Cheguei agorinha...
     Ela sorriu, era de medo ou era para encorajar? Tudo podia ser, ela parecia um criança, os coxas e os seios à mostra como se não visse mal naquilo, como se nada soubesse daquelas coisas, fosse toda inocência. Tirou o embrulho da mão dele:
-Obrigada moço, Deus lhe pague.
     Desatou o nó, Nacib a percorria com os olhos, ela estendeu sorrindo o vestido sobre o corpo, acariciou-o com a mão 
-Bonito...
Espiou os chinelos baratos, Nacib arfava 
- O moço é tão bom...
O desejo subia no peito de Nacib, apertava-lhe a garganta. Seus olhos se escureciam, o perfume de cravo o tonteava, ela tomava do vestido para melhor o ver, sua nudez cândida ressurgia.
-Bonito... Fiquei acordada, esperando pro moço me dizer a comida de amanhã. Ficou tarde, vim deitar.
-Tive muito trabalho- as palavras saíam-lhe a custo.
-Coitadinho... Não tá cansado?
Dobrava o vestido, colocava os chinelas no chão.
-Me dê, penduro no prego.
Suas mão tocou a mão de Gabrila, ela riu:
-Mão mais fria...
Ele não pode mais, segurou-lhe o braço, a outra mão procurou o seio cendo ao luar. Ela o puxou para si:
-Moço bonito...
O perfume de cravo enchia o quarto, um calor vinha do corpo de Gabriela, envolvia Nacib, queimava-lhe a pele, o luar morria na cama. Num sussurro entre beijos, a voz de gabriela agonizava;
-Moço bonito...

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